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Tudo o que existe

Bruno Pinto

“A ansiedade tinha chegado com ela. Só uma porta nos separava. Não a via fazia tanto tempo; sentia-me esmagado por tudo o que estava a sentir. Tinha desejado aquele momento como não me lembro de desejar qualquer outra coisa. Abri a porta.

Estava de cabeça baixa. Olhou-me a medo, com olhos pretos hipnotizantes…diziam “eu sei que sou estranha…mas hey, tou aqui…”

Mantive-me em silêncio. Acenei-lhe com a cabeça para que entrasse. Dirigiu-se a mim de ombros encolhidos e cabeça baixa. Tanto se diz não dizendo absolutamente nada.

Quero agarrá-la. Contenho-me por 5 segundos. Estou paralisado a olhar para dentro dela e sinto uma pulsão desesperada.” Tem que ser minha”.

Estamos demasiado perto.  Temo que o perfume dela dilua a força que me resta.

É o meu lado negro que me consome. É o meu lado negro que fala com ela, que sente por ela. Estou preso e não quero fugir.

Mal a conheço e morreria por ela.

Podia viver deste amor.

Ela podia ser tudo o que existe.

Na verdade…ela é tudo o que existe.”

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