Rui Quinta
(transcrição literal dos meus apontamentos – 26/08/2009 – 2h00)
Eles são dois gajos que vivem num manicómio. Nunca se deram muito bem porque naquele sítio não havia esse hábito.
Um deles é louco e vive com os pés encaixotados num caixote. Tem tantas ideias que não as consegue apanhar, não as consegue decorar. É um candeeiro de ideias que acende e apaga e que não vai a lado nenhum. É um gajo sem memória. (lembro-me que tem cabelo liso preto e uns ténis da Hi-Tech. Lembro-me também de uma das ideias dele: “Abrir de todo o lado, um caminho para a praia.) O outro é calado em silêncio. Só fala ao ouvido e tem a tarefa de fazer com que os outros acreditem nele (no do caixote).
Um dia descobrem que não conhecem outro sítio para além daquele. Não o sabiam porque não o haviam descoberto e ninguém lhes disse porque ninguém sabia que eles não sabiam porque pelos vistos ali eram todos malucos.
Saíram para ser os melhores amigos.
No fundo, sinto que sonhei sobre um sonho em que sou estes dois gajos. Sinto que tive uma ideia sobre uma ideia que tinha tido. Uma ideia que não pode ficar parada. Tive a ideia de fazer um livro só de prefácios. “O Livro dos Prefácios”.
Hoje sou o gajo mais baixo que me fala ao ouvido e me faz arrancar a ferro este texto de entrada.
Esta ideia é mais do que os meus dedos.
Desafio-vos a escrever um prefácio para um livro de prefácios. Desafio-vos a escrever um prefácio para o livro que gostavam de ter escrito. Desafio-vos a escrever um prefácio para o livro que gostavam de ter lido. Desafio-vos a escrever um prefácio sobre uma história de dois gajos que vivem num manicómio.
Desafio-vos a escrever um prefácio para “O Livro dos Prefácios”.









