João Vicente
As excessivas preocupações sociais da actualidade foram mote introdutório para esta emblemática obra de ficção. Este autor neozelandês, em ascensão, procura desprender-se da sua realidade física e temporal cativando-nos a mergulhar num futuro improvável. A única personagem deste enredo perdeu quase toda a noção do seu passado como ser humano descrevendo-se como uma mente que vagueia por um continente que se reaproximou após milhões de anos de saudade, um único continente designado por Pangea Ultima. As suas lembranças enevoadas e caóticas descrevem-nos pandemias criadas por doenças imaginárias, mas muito em voga, que criavam motins extravagantes. Esta crítica social ridiculariza a hipocondria mundial após os primeiros espirros, que causavam perdas consideráveis de inteligência e o crescimento capilar desenfreado que dava aos humanos uma aparência quase primata. Uma nova espécie era conhecida por Homo-Pongidae. A libertação do seu espírito, agora sem preocupações fúteis, em comunhão com as restantes espécies sobreviventes, fez com que apreciasse o facto de “existir” em Pangea Ultima… Deixe-se levar nesta aventura racional e provocadora!










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