27 Vote

Prefácio a uma autobiografia de Álvaro Cunhal, em que o autor teve uma pequena trombosezinha depois da primeira frase. Ou então a um livro documentando a história do Portugal dos pequeninos. Também poderia ser um prefácio à biografia de Pacheco Pereira.

15 de Setembro, 2009

Tiago Gomes

E joao manel (tiago) viveu para sempre. Nao gosto de escrever com acentos, nunca gostei, acho que sao um acessorio deveras acessorio, tambem raramente faço uso do ponto final e uso o c com cedilha porque esta justamente ao lado do l.

Fazendo uso do c com cedilha juntamente com a tecla fn temos um tracinho – que também se encontra abaixo do c com cedilha – mais concretamente apontando para sudeste segundo os velhos ensinamentos de Timóstenes. Se o senhor Firmin-Didot levasse a sua a avante, o t francês, por vezes, também teria uma cedilha e lá seria necessária mais uma tecla; não sei onde iria caber visto que o meu teclado é um perfeito paralelogramo, digo isto porque tem os quatro ângulos rectos.

Nasci na Sé Nova, Coimbra, em 1993. eh pá o puto é albino! Tem o cabelo branquinho, branquinho! Que risco ao lado é aquele? Porque é que ele tém dois rolos, das máquinas automáticas de lavar carros, por cima das sobrancelhas?…….em 1918 visitei o Egipto pela primeira vez. Gostei, mas continuo a preferir o…… Norte d´Afrique. Je suis marrocain. Olha lá pá vamos ao Avante! É agora no dia 25 de Dezembro! Nasceu a palavra deturpar e, aqui, a palavra calúnia faria todo o sentido. Ele sabia bem que no dia 25 de Dezembro se celebrava o dia do Trabalhador…. Nunca na minha vida, jamais em tempo algum, eu desejaria que o franciú passasse o seu cabedal pelo Avante, minha nossa senhora do rosário, cruzes canhoto, nem por dá cá aquela palha eu lhe proporcionaria uma tarde de joelhos a introduzir hastes de metal, com cabeça e de pontas aguçadas, em tábuas de madeira, para no final nos depararmos com bonitos cenários, todos feitos á mão pelos resquícios do estado novo, a bater os seus tacos, bradando aos céus que as forquilhas ainda funcionam e as plainas ainda cortam fiambre e o caralho que os foda a todos. Vossas mãos, involuntárias foices de dedos, trespassam-me o coração. Filhos da Puta. Bom, pelos vistos a comunidade ainda funciona e o Pacheco ( sim, esse o da Amália) sempre tinha razão. Corta Vicente.

Você é um desgraçadinho, não a faz a mínima ideia do que está a dizer e põe em causa toda uma nação, todo um caminho cheio de veredas, toda uma luta, joelhos esfolados, calada, amordaçada, em prol de um bem comum, a verdadeira essência da condição humana. Homem livre, espaço domestico fora, fora, viva o espaço político, vamos ser livres, fora com a escravização das necessidades, fora com a politização da apolitização. Entremos na esfera dos Deuses…..

Jasus, minha nossa senhora, eu só disse que não queria estar um dia inteirinho ao Sol a pregar pregos e a cantar canções de protesto. Olha ao menos não fodi a minha irmã, pergunta ao Vilaça, e não comi a minha prima.

Disseram-me uma vez: olha lá tu és um bocado granítico. Eu! Porquê? Amando perdigotos de granito? faço toros de granito? Sou agressivo, imponente, frio?  Faço parte  de noventa por cento dos móveis de cozinha que saíram de Paços de Ferreira? Tenho o pénis grande, duro?

Sim, sim!

Sim o quê?

Sim, o último ponto que dissestes.

Ok. Podes felaciar-me o pénis?

Sim, mas se não te importas preferia chupar-te a picha primeiro.


49 Vote

Tabuada do Ratinho

13 de Setembro, 2009

 

Miguel Ramos

 

Considerado por muitos o maior auxiliar escolar de todos os tempos, a tabuada do ratinho de Alfredo Cabral tornou-se na sebenta obrigatória de qualquer aluno do primeiro ciclo. Esta edição faz-se acompanhar de um DVD multimédia onde a famosa música de tabuar em versão karaoke não foi esquecida.

 

Ordinais, cardinais, medidas de comprimento, volumes e numerações romanas. Passo a passo, a iniciação à matemática faz-se de forma metodológica, sob a forma de jogos didácticos e com a companhia do simpático ratinho sabichão. 


9 Vote

A carroça chegou às nove horas ao palácio branco

11 de Setembro, 2009

João Colaço

“A carroça chegou às nove horas ao palácio branco. Será o título do próximo livro de Jorge, o escritor.”

Jorge, escritor nas horas vagas, que ao mesmo tempo não faz mais nada senão escrever, estava sentado com a sua máquina de escrever à beira-mar. As imagens ocorriam-lhe na cabeça velozmente e não as contendia.
“Passar-se-ia no século XVIII…” disse vestindo o corta-vento para se proteger da chuva. Começou a chover porque era inverno e embora estando protegido debaixo da porta da carrinha, a água vinha de lado. O vento era de norte e frio.

Será a vida de homem, que vive só no nosso mundo. Isolamento, contenção e alguma contemplação. Tem sido a vida de Jorge. Escreve para se entender e compreender os outros. Come carne e ganha dinheiro “não sabe como”. O pai vem ter com ele de vez em quando. Jorge é um homem – acima de tudo – neutro.

E isto tudo é uma comédia.


15 Vote

Sonhei com um sonho

10 de Setembro, 2009

Rui Quinta

(transcrição literal dos meus apontamentos – 26/08/2009 – 2h00)

Eles são dois gajos que vivem num manicómio. Nunca se deram muito bem porque naquele sítio não havia esse hábito.
Um deles é louco e vive com os pés encaixotados num caixote. Tem tantas ideias que não as consegue apanhar, não as consegue decorar. É um candeeiro de ideias que acende e apaga e que não vai a lado nenhum. É um gajo sem memória. (lembro-me que tem cabelo liso preto e uns ténis da Hi-Tech. Lembro-me também de uma das ideias dele: “Abrir de todo o lado, um caminho para a praia.) O outro é calado em silêncio. Só fala ao ouvido e tem a tarefa de fazer com que os outros acreditem nele (no do caixote).
Um dia descobrem que não conhecem outro sítio para além daquele. Não o sabiam porque não o haviam descoberto e ninguém lhes disse porque ninguém sabia que eles não sabiam porque pelos vistos ali eram todos malucos.

Saíram para ser os melhores amigos.

No fundo, sinto que sonhei sobre um sonho em que sou estes dois gajos. Sinto que tive uma ideia sobre uma ideia que tinha tido. Uma ideia que não pode ficar parada. Tive a ideia de fazer um livro só de prefácios. “O Livro dos Prefácios”.
Hoje sou o gajo mais baixo que me fala ao ouvido e me faz arrancar a ferro este texto de entrada.

Esta ideia é mais do que os meus dedos.

Desafio-vos a escrever um prefácio para um livro de prefácios. Desafio-vos a escrever um prefácio para o livro que gostavam de ter escrito. Desafio-vos a escrever um prefácio para o livro que gostavam de ter lido. Desafio-vos a escrever um prefácio sobre uma história de dois gajos que vivem num manicómio.
Desafio-vos a escrever um prefácio para “O Livro dos Prefácios”.


41 Vote

A look on the wild side

9 de Setembro, 2009

R. Soares

George, 50 anos, solteiro, coleccionador de brochuras e gravatas de seda, assíduo frequentador de peepshow’s, vive num luxuoso apartamento na Park Avenue com a mãe, Gloria Aldridge, uma viúva octagenária, antiga “socialaite” da elite americana, que apenas tem em mente beber “sweet martinis”, enquanto dança ao som de “La vida es un Carnaval” de Célia Cruz, pavoneando roupas de antigas estrelas de Hollywood compradas por fortunas em leilões.

Uma tarde, uma hora, bastará para que George e Gloria se deixem deslumbrar por dois desconhecidos, que lhes batem à porta.


83 Vote

Prefácio à suposta genialidade do rui

8 de Abril, 2009
N. Casas
cronologia do almoço com o rui (desmistificando a suposta genialidade do gorducho):

13:00 – chega o gorducho para almoçar e diz-me que tem uma ideia brilhante para me contar;
13:15 – pedimos os pratos (para mim bitoque, para ele um “javali à gaulês”, que estava com pouca fome);
13:15 – Começámos a comer – eu com talheres, ele com as mãos;
13:25 – Após várias insistências, conta-me a suposta ideia genial – “Vamos construir um boneco de neve com o gelo acumulado que tenho nas laterais do meu frigorífico” resposta: isso não faz sentido.
13:35 – Afinal não era esta a ideia genial. a ideia genial #2 – “Vamos fazer uma casa de chocolate em Queluz” resposta: começa a fazer sentido, mas dá muito trabalho.
13:45 – Pedimos os cafés – o meu normal, o dele pingado com sangue de virgem e em chávena escladada.
13:55 – Afinal não era esta a ideia genial. a ideia genial #3 – “Escrever um livro só com a mão esquerda” resposta: porque não escrevemos um livro só de prefácios? Aí, o gajo, não sei como, masturbou-me por debaixo da mesa, só com os pés, gritando num misto de regozijo e pranto: és um génio, odeio-te és um génio.
14:05 – paguei o almoço ao chaval.


9 Vote

1º Prefácio (não estou aqui só para vos ver escrever)

8 de Abril, 2009

J. Revez

Inventar prefácios para obras que não existem. Pedir a personalidades que escrevam prefácios para obras que gostariam de ter escrito. Enriquecer à custa de uma ideia de elevador. Foi com estas três ideias (e mais algumas) que Rui Q. deu o pontapé de saída para o grande sucesso editorial de 2010. O Livro dos Prefácios compila textos geniais com rasgos fulminantes de sensibilidade. Abrangendo vários quadrantes da vida portuguesa, de Queluz à Lapa, podemos aqui ler o raio-x de um país a cores garridas e inventivas. Um país diferente e sem crise(s).

Reunindo alguns amigos que insistentemente o tentaram demover, RQ arrisca tudo mesmo não tendo o jogo na mesa, estando a guardar para si aquele trunfo. Admite que é possível e avança desafiando os limites da já convencional escrita criativa; indo mais além, num sentido sempre provocante e irreverente.

Designer de profisão, RQ é sobretudo um génio que Portugal ainda não conhecia ou não quis conhecer. Costumava mesmo dizer: “Eu só gostava que um dia aparecesse alguém e pegasse em mim…”

Como os caros leitores já devem ter reparado, também eu sou vítima deste síndroma prefaciador, ao escrever este prefácio para o Livro dos Prefácios. Redundante, não?

[Agora a sério... Esta ideia é bastante estúpida e fora do controlo que normalmente exercemos sobre as coisas...]