13:00 – chega o gorducho para almoçar e diz-me que tem uma ideia brilhante para me contar;
13:15 – pedimos os pratos (para mim bitoque, para ele um “javali à gaulês”, que estava com pouca fome);
13:15 – Começámos a comer – eu com talheres, ele com as mãos;
13:25 – Após várias insistências, conta-me a suposta ideia genial – “Vamos construir um boneco de neve com o gelo acumulado que tenho nas laterais do meu frigorífico” resposta: isso não faz sentido.
13:35 – Afinal não era esta a ideia genial. a ideia genial #2 – “Vamos fazer uma casa de chocolate em Queluz” resposta: começa a fazer sentido, mas dá muito trabalho.
13:45 – Pedimos os cafés – o meu normal, o dele pingado com sangue de virgem e em chávena escladada.
13:55 – Afinal não era esta a ideia genial. a ideia genial #3 – “Escrever um livro só com a mão esquerda” resposta: porque não escrevemos um livro só de prefácios? Aí, o gajo, não sei como, masturbou-me por debaixo da mesa, só com os pés, gritando num misto de regozijo e pranto: és um génio, odeio-te és um génio.
14:05 – paguei o almoço ao chaval.
Arquivo do mês de Abril, 2009
Prefácio à suposta genialidade do rui
Quarta-feira, 8 de Abril, 20091º Prefácio (não estou aqui só para vos ver escrever)
Quarta-feira, 8 de Abril, 2009J. Revez
Inventar prefácios para obras que não existem. Pedir a personalidades que escrevam prefácios para obras que gostariam de ter escrito. Enriquecer à custa de uma ideia de elevador. Foi com estas três ideias (e mais algumas) que Rui Q. deu o pontapé de saída para o grande sucesso editorial de 2010. O Livro dos Prefácios compila textos geniais com rasgos fulminantes de sensibilidade. Abrangendo vários quadrantes da vida portuguesa, de Queluz à Lapa, podemos aqui ler o raio-x de um país a cores garridas e inventivas. Um país diferente e sem crise(s).
Reunindo alguns amigos que insistentemente o tentaram demover, RQ arrisca tudo mesmo não tendo o jogo na mesa, estando a guardar para si aquele trunfo. Admite que é possível e avança desafiando os limites da já convencional escrita criativa; indo mais além, num sentido sempre provocante e irreverente.
Designer de profisão, RQ é sobretudo um génio que Portugal ainda não conhecia ou não quis conhecer. Costumava mesmo dizer: “Eu só gostava que um dia aparecesse alguém e pegasse em mim…”
Como os caros leitores já devem ter reparado, também eu sou vítima deste síndroma prefaciador, ao escrever este prefácio para o Livro dos Prefácios. Redundante, não?
[Agora a sério... Esta ideia é bastante estúpida e fora do controlo que normalmente exercemos sobre as coisas...]









