Mara Fernandes
Lembro-me sempre do meu irmão. De um telefonema que me fez durante as suas férias só para me dizer para escrever. “Há quanto tempo não escreves?” Perguntou-me ele da Suécia como se isso justificasse um telefonema internacional. “Mas escrever mesmo?! Há quanto tempo?!” Insistiu. Acho que nem lhe cheguei a responder. Como se as baboseiras com que vou alimentando 2 ou 3 blogs servissem para alguma coisa que não seja aumentar a frustração da resposta. Não. Escrever, escrever nunca mais tinha escrito. Mas imaginei-me a fazê-lo diversas vezes. E só uma noite destas é que se me iluminaram as ideias… é para nós que devo escrever. Escrever todas as palavras que não dissemos, nem alto só para eu ouvir, porque também não as saberia dizer. Não consigo perceber. A sério que não. Vais e vens sem aviso. Chegas numa noite, não me deixas dormir porque as ideias começam a descer em turbilhão, mas mesmo assim deixo-me vencer pela preguiça e não me levanto para escrever tudo o que me sussurras aos ouvidos. Algumas vezes alto demais. Não pode ser. E pensar que tudo isto começou só porque não me deixaste dormir uma noite destas. Porque me berraste aos ouvidos que tenho que te dizer, seja lá de que forma for, tudo o que temos para dizer ainda um ao outro. E eu é que tenho que dizer as coisas, por mim e por ti. Mas não agora. Agora vou-me deitar. A ver se as palavras me vão chegando assim devagarinho. Até já.









